A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é o distúrbio endócrino mais frequente entre as mulheres na idade reprodutiva, podendo afetar até 20% delas. Além disso, pacientes com SOP estão sujeitas a um risco aumentado de outras doenças metabólicas, como diabetes mellitus, colesterol alto, gordura no fígado e também doenças cardiovasculares e complicações durante a gestação.
Contudo, o diagnóstico de SOP envolve alguns critérios específicos, sendo um diagnóstico de exclusão, ou seja, é necessário descartar outras doenças (problemas de tireoide, tumores de hipófise, doenças nas adrenais) antes de dar esse diagnóstico a uma paciente. E é nesse momento que observamos muitas pacientes em que essa investigação não foi feita de maneira adequada, levando a conclusões equivocadas sobre sua saúde. Daí a importância da avaliação com um especialista, seja endocrinologista ou ginecologista, para se obter um raciocínio médico e um tratamento corretos.
A rigor, seguimos os critérios de Rotterdam para formular o diagnóstico da SOP. Neles, são necessários dois dos três critérios a seguir: aumento de pelos no corpo ou dos níveis de testosterona na mulher; irregularidade na menstruação; formato micropolicístico dos ovários. Perceba que são dois dos três critérios, e não necessariamente os três. Por isso, muitas mulheres têm a imagem de ovário policístico no ultrassom sem necessariamente ter SOP. E o contrário também é verdadeiro: muitas mulheres têm SOP sem, necessariamente, apresentar um ultrassom característico.
Ademais, é importante ressaltar que a SOP tem apresentação clínica heterogênea e pode ser categorizada em fenótipos, dependendo da presença ou ausência desses três achados acima citados. Por isso, nem todas as mulheres com SOP apresentam as mesmas manifestações, sendo basicamente quatro formas de apresentação:
- Fenótipo A: Hiperandrogenismo + disfunção ovulatória + morfologia ovariana policística;
- Fenótipo B: Hiperandrogenismo + disfunção ovulatória;
- Fenótipo C: Hiperandrogenismo + morfologia ovariana policística;
- Fenótipo D: Disfunção ovulatória + morfologia ovariana policística.
Hiperandrogenismo = aumento de pelos no corpo ou de testosterona nos exames da mulher.
Apesar de prevalente, antes de se dar o diagnóstico de SOP é necessário excluir uma série de outras doenças, uma vez que elas podem ter apresentação semelhante a essa endocrinopatia, levando a raciocínios equivocados. Dentre as doenças que precisam ser descartadas, podemos citar: aumento de prolactina (tumor de hipófise), doenças da tireoide, uso de medicações, tumores de ovário ou da glândula adrenal, hiperplasia adrenal congênita e síndrome de Cushing. Infelizmente, na maioria das vezes, essas pacientes não passam por uma avaliação completa, o que pode gerar não apenas diagnósticos errados, mas também tratamentos inadequados.
Portanto, o diagnóstico de SOP deve ser feito por um médico especialista na área, que tenha a capacidade de avaliar e descartar diagnósticos diferenciais e, assim, tratar a paciente da maneira mais adequada possível, gerando resultados consistentes no tratamento dessa condição que é tão comum no nosso meio.
E aí, será que o seu diagnóstico de SOP foi feito da maneira correta?
Referência Bibliográfica
Vilar et al. Endocrinologia Clínica. 7ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2020.



